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Resenha: Má Sorte - Stacey Marie Brown | Editora The Gift Box

by - julho 01, 2020

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"Em um dos momentos mais sombrios da minha vida, quando estava me afogando, uma força me trouxe de volta à superfície. Uma única luz em meio à escuridão."

Quando Devon Thorpe acaba de receber o diagnóstico de que sua mãe possui Alzheimer, tendo a pouco tempo perdido o pai, um policial que foi morto em serviço, além disso, sua irmã ter engravidado de seu namorado inconsequente, ela passa a acreditar não possuir nenhum tipo de sorte na vida. 
Todas as preocupações e responsabilidades recaem sobre ela, tendo apenas 17 anos de idade, por isso ao saber que está sendo traída pelo namorado com a sua melhor amiga, decide extravasar pelos acontecimentos em sua vida, tudo de ruim que vem acontecendo com ela e família, na qual Devon só precisa viver por um curto período de tempo sua juventude. Nem que seja para ter um rápido encontro com um desconhecido em um banheiro de restaurante, desconhecido este, que Devon logo sente uma inexplicável e surpreendente conexão. Ela só não contava que o homem no qual tinha ficado no banheiro, estivesse sendo procurado pela polícia.

"Um pensamento passageiro atravessou minha mente para que continuasse a dirigir sem rumo. E nunca mais voltasse. Mas eu não era assim. Não era de fugir. No entanto, se soubesse que nada mais poderia acontecer comigo hoje, ou se fosse esperta e pensasse que ainda havia uma boa cota de azar para mim, teria continuando a dirigir."
 
Devon não poderia ter mais má sorte. Mas quem disse que o destino, ou o carma estaria ao seu favor? Com todas os coisas acontecendo em uma sucessão rápida de eventos, após 5 anos do diagnóstico de Alzheimer, a jovem precisou arranjar um emprego para cuidar da mãe e de seu tratamento, mas depois de um incidente quase colocar a vida e de seus familiares em risco, Devon e sua família decidem sair da pequena cidade onde viviam e irem para Albuquerque, uma cidade do Novo México, em que poderia colocar a mãe em uma clínica especializada.

" O peso da responsabilidade parecia esmagador."
"Estava em queda livre."
 
Logo que se restabelecerem em Albuquerque, Devon vai em busca de um emprego de garçonete, na qual depois de uma busca árdua finalmente consegue uma vaga em um bar, mas ao conhecer o dono deste, ela começa a sentir uma forte atração por aquele homem alto, forte, todo tatuado e com um olhar castanho penetrante, além de uma sensação estranha que deixa Devon inquieta e ao mesmo tempo querendo desvendar o passado sombrio de Lincoln Kessler.

"Por que a vida sempre dava um jeito de te colocar de joelhos e ainda te chutava quando você está caído?"
"Aos vinte e dois anos, eu me sentia com o dobro da idade. O fardo era pesado demais para carregar todos os dias."

A atração que os dois sentem é puro "fire and gasoline", e quanto mais Devon tenta conhecer Lincoln, mais ele quer afastar a mulher de sua vida e de seu coração. Só que entre olhadelas, discussões acaloradas e muita química entre eles, acabam deixando o desejo falar mais alto e embarcam numa sexy e complicada relação. Mas nenhum deles contava com o interlúdio de dor e sofrimento que viria a seguir, os deixando à beira do colapso e quebrando a possível maré de sorte na qual eles poderiam possuir.

"Eu sentia uma estranha atração, como se já o houvesse conhecido antes, em vidas passadas ou alguma merda dessas."

O que falar de Má Sorte sem suspirar é até complicado, pois senti praticamente tudo ao fazer a leitura. Um romance dramático que traz um tema sensível como a perda de familiares e o que é preciso fazer para cuidar daqueles que ama. Desde o começo do livro Devon teve que tomar para si a responsabilidade de ser o pilar estrutural da sua família já desamparada, cuidando de sua mãe em fase agressiva do Alzheimer, sua irmã mais velha e a sua sobrinha. Mas isso faz com que ela desista dos seus sonhos para cuidar da família, não arriscando e só sobrevivendo. Isso me fez questionar sobre a responsabilidade que uma pessoa jovem demais toma para si, por causa de situações tristes que ela vivencia. Eu mesma tive que amadurecer perante situações que vivenciei, e por isso me vi tendo uma conexão maior com a protagonista.

"Não se desculpe por se defender. Às vezes, você será a única pessoa que fará isso."

Devon se mostra uma personagem curiosa, forte e corajosa para lidar com as situações, contudo, sofre como nenhuma outra, se mostrando vulnerável e precisando de apoio quando menos espera. O que me cativou sobre a personagem, foi a forma como a sua caminhada não foi fácil e ela não desistia sem antes lutar. Ela sofreu durante a sua jornada no livro, e o que mais me via fazendo era torcer para que ela tivesse uma chance de ser feliz. Lincoln é aquele boy sombrio que quase toda leitora deseja ter num livro, sofrendo e levando a vida o mais silenciosamente possível, mas a intensa conexão que ele tem com Devon o faz questionar se não poderia ter um futuro que nem pensava em ter.

Má Sorte é um romance dramático, muito envolvente, emocionante e que pode nos ensinar coisas valiosas sobre a vida, os sonhos, as escolhas que fazemos e pensar sobre o que o futuro nos reserva. A escrita da autora Stacey Brown me cativou desde o primeiro capítulo, pois é leve, mas envolvente e carregada de emoção. Possui drama, como já disse, mas além disto, tem um romance super envolvente entre duas pessoas que precisam acima de tudo, lutar pelo que acreditam e por um amor que arriscará tudo, até a má sorte deles.

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